Hoje, segunda-feira (29), eu vim fazer um registro histórico. Não sei se ainda sou o melhor narrador de contos, mas espero que você me acompanhe nesta coluna opinativa, porque se, no dia 19 de julho, – data da final da Copa do Mundo – essa narrativa sair da história e entrar na memória, com certeza lembraremos do que a partir de hoje eu intitulo de “o dia em que os deuses do futebol tiveram que descer do olimpo para resgatar Casemiro e o Brasil”.
Preciso ser sincero ao confessar que, antes do jogo, eu imaginava uma partida mais tranquila. Mas será que existe confronto de mata-mata de Copa do Mundo que seja realmente sossegado? Talvez seja a mesma máxima de disputa de pênaltis: “se o meu time não estiver no meio, é uma maravilha”.
Foi justamente pela presença – ou ausência – de Casemiro no primeiro tempo que tivemos a sensação de que o nosso destino seria as penalidades, tendo um presságio de que mais uma vez ficaríamos pelo caminho, assim como em 2022. Mas não é o momento de falar do baixo controle do nosso “passageiro da agonia”, que inclusive parece estar afetando alguns dos onze brasileiros dentro de campo, porque há um assunto que nos interessa mais.
Numa primeira etapa lenta, pesada e apática, Carlos Henrique Casemiro nos colocou diante de um pesadelo. Por incrível que pareça, o cartão sofrido não foi o maior problema para o torcedor, mas deve ter sido o principal motivo da dúvida do volante ao correr atrás de Kaishu Sano no lance do gol dos japoneses. Sem muita preocupação, o meia do Japão correu livremente pela faixa central, o médio brasileiro não o alcançou e o adversário chutou de fora para vencer o goleiro Alisson. O ano é 2026, mas o cenário não é uma novidade.
Com muita paciência – eu diria até benevolência –, os deuses do futebol nos deram mais uma oportunidade. No segundo tempo, com um bom sinal de senso de urgência desde o início, o Brasil pressionou e logo conseguiu seu gol com um cruzamento de Gabriel Magalhães que encontrou a cabeça do “impopular” Casemiro, que balançou as redes e arrancou o grito de alívio do povo.
Eu insisto em dizer que essa reviravolta é fruto de um resgate dos deuses do futebol porque além de não atribuir isso “apenas” à mudança de postura de ambas as equipes, dos que assistiram ao primeiro tempo, quem poderia imaginar que Casemiro terminaria esta partida recebendo o prêmio de melhor jogador da partida? Não acredito que ele tenha sido e imagino que muitos não acham que ele foi, mas quem o manteria em campo depois de ele demonstrar que sentiu o gol sofrido pelo Brasil? Carlo Ancelotti.
Carlo Ancelotti nos corredores do NRG Stadium, em Houston, nos Estados Unidos | Foto: Rafael Ribeiro/CBF
No fim das contas, o Brasil soube trabalhar melhor a posse de bola na segunda etapa e, já mais próximo do céu, proporcionou um verdadeiro inferno aos japoneses. Depois de tanto insistir, a Seleção perdeu a bola, recuperou-a com Rayan, que acionou Bruno Guimarães. O camisa 8 encontrou Gabriel Martinelli na área e, já nos acréscimos, o atacante fez o gol que tirou o grito de esperança.
Eu diria que o relatório final de hoje mostra que ajustes ainda precisam ser feitos e que o Brasil ainda não possui a “fé cega” de um time verdadeiramente vencedor. Até aqui, porém, a solidez defensiva e o bom volume ofensivo da Seleção têm garantido passos adiante.
Quem sabe nos encontraremos no próximo domingo (5), depois da partida entre Brasil e Costa do Marfim ou Noruega, pelas oitavas de final, para contar uma nova história. E, se não forem os deuses do futebol, quiçá o acaso nos proteja “enquanto andarmos distraídos”.
