As três próximas semanas serão cruciais para o reforço da imagem do governador Jerônimo Rodrigues em seu projeto de reeleição. É o período limite, conforme a legislação eleitoral, para que sejam feitas inaugurações, assinadas ordens de serviço e outras ações que tenderiam a favorecer quem está no poder. Diferentemente de 2022, quando Rui Costa permaneceu no cargo e conseguiu utilizar a máquina em favor do aliado – ainda que sem pedidos explícitos de votos -, agora Jerônimo estará por conta própria entre os meses de julho e setembro, ás vésperas do pleito.
Em quase três anos e meio no poder, Jerônimo ainda tem dificuldades em consolidar uma marca própria, apesar dos bons números do governo. Mesmo os investimentos como as inúmeras escolas de tempo integral, a “menina dos olhos” da gestão estadual, não vingaram como uma marca de quem está no poder. Boa parte delas é a colheita do que foi plantado ainda durante a administração de Rui – quando, até abril de 2022, o próprio Jerônimo era secretário de Educação. E olha que a dificuldade não é na comunicação, visto que não faltaram associações entre a publicidade estatal e o atual governo.
O governo Jerônimo conseguiu avançar, por exemplo, na saúde, com novas unidades hospitalares, especialmente no interior da Bahia. Ainda assim, ele também não é conhecido como um governador que investiu pesado em saúde. Tal qual acontece com a área de educação, não se estabelece uma conexão imediata entre a figura do governador e o que foi realizado pelo governo, mesmo em um contexto em que Jerônimo consegue ser tão personalista – ou até mais – quanto Rui, em diversas oportunidades.
A segurança pública, outro tema caro para o governo, é outra área em que o investimento não resultou em uma imagem positiva direta para o governo. Há tempos a Bahia não tinha números tão bons nesse segmento, surpreendendo até mesmo os mais pessimistas da oposição, que, nos bastidores, admitem a competência técnica do atual secretário Marcelo Werner. Ou seja, há avanços que sequer são percebidos.
Por isso essas três semanas podem ser cruciais para o reforço da imagem do governador. São os últimos momentos em que ele poderá aparecer publicamente ao lado de realizações que o próprio governo tem feito ao longo dos últimos meses e anos. É um desafio extra para a comunicação, dado que a batalha jurídica eleitoral já foi iniciada há algum tempo e a oposição tende a ficar mais do que atenta para qualquer deslize que venha a acontecer.
Ao longo do semestre, houve uma intensificação das ações e participações do governador, especialmente no interior da Bahia. Tudo dentro da legislação, então nada passível de questionamento pelos adversários. Agora, no limite do que permite da lei, Jerônimo deve aproveitar para tentar “colar” nele o que, até o momento, não ficou facilmente vinculado. Isso preocupa os adversários, pois quem se senta na cadeira já é favorito por natureza. Se Jerônimo conseguir alinhar a imagem dele com as entregas realizadas até aqui, ele ganha ainda mais pontos para ser reeleito em outubro.
