Na sessão plenária do Senado na última terça-feira (16), o líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA), disse que processaria a revista Veja por fazer ilações a respeito de ligações dele e do PT da Bahia com o dono do Master, Daniel Vorcaro. O senador disse também que procuraria o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para saber se havia alguma acusação contra ele ou declaração de alguém que o envolvesse em atividades suspeitas.
A fala do líder do governo se deu em uma manifestação de solidariedade ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Naquela mesma sessão, Alcolumbre negou informações divulgadas pela Veja de que teria recebido cerca de US$ 30 milhões de Vorcaro em uma conta no exterior. Jaques Wagner disse que a revista mentia e que se tratava de uma ‘guerra de narrativas’.
“Do meu ponto de vista, meu advogado já está preparando a peça para processar, e eu quero saber a mesma verdade. Eu vou perguntar ao chefe da Polícia Federal, Dr. Andrei, se essa coisa pode chegar a alguém para me acusar, eu quero saber também para poder me defender”, afirmou o senador baiano.
No seu discurso na última terça, Jaques Wagner reiterou que não possuía qualquer vínculo com Daniel Vorcaro ou o Banco Master, e classificou as informações da revista como infundadas.
“Eu estou muito à vontade porque não tenho, como V. Exa. afirmou, nenhuma relação com … Conheci esse senhor duas vezes, uma vez em Salvador e uma vez em São Paulo. Não tenho nenhuma relação com ele, não tenho nenhum negócio. Aliás, eu não tenho nem CNPJ, eu só tenho CPF – eu não tenho CNPJ. Então, eu quero me solidarizar com V. Exa. e antecipar que meu advogado já está preparando a peça para processar a revista”, reforçou o senador.
Jaques Wagner aproveitou ainda para criticar a forma como a delação premiada vem sendo utilizada dentro de um contexto de guerra política e voltada à difamação da classe política. Para o senador, há uma distorção no uso da delação, que, para ele, tem servido de instrumento para coerção e obtenção de elementos de acusação que posteriormente não se sustentam.
“Nós, acho, cometemos um erro, o Congresso Nacional. A lei de delação premiada, que foi aprovada ainda no tempo da presidenta Dilma, admitiu a delação premiada com as pessoas sob coação, com as pessoas presas. Na verdade, foi com essa delação, sob coação psicológica, ou real, que se arrancou um número infindável de acusações que levaram […] Lula à cadeia. Talvez, naquele momento, a gente não tenha se dado conta da violência”, explicou o senador Jaques Wagner.
Além do discurso, o líder do governo publicou um vídeo em suas redes sociais afirmando que a informação da revista Veja sobre ele seria mentirosa e que foi proveniente de uma delação que não se concretizou.
“A capa da Veja trata de uma delação inexistente, já negada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República. A verdade sempre vencerá”, afirmou o senador do PT da Bahia, alvo de operação da Polícia Federal nesta quinta (18) por relações suspeitas com o dono do Banco Master.
